quinta-feira, 31 de julho de 2014

Rabo de Turma

Reflexões de um “Rabo de Turma”

Prezados Amigos Militares

Sou Aspirante a Oficial da turma Marechal Mascarenhas de Moraes, formada na AMAN no ano de 1972. Fui o 82º colocado em uma turma de 116 oficiais da Arma de Infantaria, o que me torna, no jargão militar, um (perdoem o termo chulo) “rabo de turma”, denominação usada no meio castrense para aqueles que se encontram no ultimo quarto de sua turma de formação. As idas para o Rio de Janeiro, infelizmente, sempre sobrepujaram a minha vontade de estudar. Assim, mercê de meu destino de apedeuta juramentado (rotulado já na década de 70), como diria o saudoso Odorico Paraguaçu, sinto-me muito à vontade para escrever essas linhas. Caso alguém concorde, será lucro. Caso discordem, poderão dizer: “ah, também, não se poderia esperar nada alem disso de um rabo de turma”!

Creio que ninguém no nosso meio irá discordar que nós, militares, estamos um uma situação muito inferior em todos os aspectos às demais carreiras de Estado, incluídos aí os funcionários de órgãos criados pelos próprios governos militares, como a Policia Federal, por exemplo ou, até mesmo, a vetusta Policia Rodoviária Federal. As Forças estão sucateadas com viaturas velhas, embarcações obsoletas, aeronaves sem manutenção adequada, salários arrochados e, em função dessas mazelas, as vocações anestesiadas. Qual o aluno brilhante de um dos nossos Colégios Militares quer, nos dias de hoje, deseja seguir a carreira das Armas? Poucos, muito poucos, posso afirmar.

Nos anos de 1994 e 1995 servi na DFA (Diretoria de Formação e Aperfeiçoamento) e, já naquela época, constatei alguns fatos no mínimo preocupantes. Exemplo: a Arma mais procurada na escolha era (ou ainda é, não saberia afirmar agora, após 13 anos de reserva) a Intendência. Não tenho absolutamente nada contra a Rainha de Logística, que realiza trabalho absolutamente edificante, mas entendo que, em principio, seria mais normal para um jovem que procura a carreira militar, escolher uma Arma combatente, por sua característica mais guerreira. Fui investigar por conta própria e, com a ajuda de alguns amigos, verifiquei que aquela escolha devia-se ao fato de os jovens cadetes identificarem na Intendência a Arma que lhes daria melhores condições para ocupar cargos no meio civil (?) ou maiores chances em concursos públicos. Mas, e a carreira militar? Ah, essa, em grande parte, seria apenas o primeiro degrau para outra caminhada.

Fui verificar, então, que os cursinhos preparatórios para tais concursos estão apinhados de militares de todos os postos e graduações (especialmente os oficiais subalternos e intermediários e os sargentos mais modernos) e de todas as Forças (Marinha, Exército e Aeronáutica). A Academia de Concursos na Cinelândia, no Rio de Janeiro, em suas turmas noturnas, é um exemplo. Quem quiser confira.

E, afinal, qual a (s) explicação (ões) para tudo isso? Vou arriscar, como “rabo de turma”, elencar algumas poucas. Os jovens militares não vêem boas perspectivas financeiras para o futuro, não enxergam líderes incontestes (peço mil perdões aos meus amigos Generais) e, de quebra, sentem em alguns casos que correm o risco de, ainda no meio da carreira, mesmo se esforçando, ficarem relegados a segundo plano.

No Exército, por exemplo, caso um jovem major não logre êxito em ingressar logo na ECEME (Escola de Comando e Estado Maior), será obrigado a levar sucessivas “caronas” (ser ultrapassado na promoção por oficiais mais modernos) daqueles que possuem o curso. Um eventual insucesso irá tirar o seu “élan” no meio da carreira. Por que essa odiosa diferença entre QEMAS e “mangas lisas”, denominação jocosa que denigre tantos jovens brilhantes? Por que não cursarem todos, como na Aeronáutica, onde basta um requerimento? Cabe observar que o concurso em questão, salvo melhor juízo, avalia principalmente os oficiais que redigem bem e possuem bom poder de síntese.

Cito meu exemplo, que, como “rabo de turma”, passei no primeiro concurso, enquanto o primeiro da minha turma de Comunicações fez três concursos e não passou e o segundo da minha turma de Artilharia, que ficou reprovado em um e se recusou a prestar sequer um segundo. Isso, para ficar em apenas dois exemplos ocorridos com militares brilhantes. Poderia citar centenas de outros. Creio que, se Napoleão Bonaparte ressuscitasse no Brasil, teria certa dificuldade em ser aprovado na ECEME, haja vista que o pequeno Corso reconhecidamente não era pródigo nas letras. Era, pura e simplesmente, um gênio militar. Bem, no nosso Exército ele, provavelmente, permaneceria como cabo de Artilharia.

A essa altura, todos já devem estar entediados com tanta prolixidade e se perguntando: aonde ele quer chegar? E, agora, vou entrar na parte mais polêmica, que é externar a principal razão de nossas angústias. NÓS, MILITARES, ESTAMOS ASSIM, PRINCIPALMENTE, PORQUE SOMOS EXTREMAMENTE DESUNIDOS. Alguns falarão: “poxa, Saint-Clair, você esta pegando pesado demais. O que é isso, companheiro?” E eu vou explicar porque vejo as coisas dessa maneira.

Após ir para a reserva, fui trabalhar na área de segurança no meio civil. Meu tempo na Policia do Exército e os cursos que tive oportunidade de realizar nessa área me proporcionaram essa oportunidade. Mercê dessas tarefas, lido diuturnamente com policiais civis, militares e federais. Todos, dentro de suas respectivas Forças, são extremamente corporativos (para o bem e, infelizmente, algumas vezes para o mal). Possuem, ainda, significativa representação parlamentar e sindicatos fortes, que lutam com vigor e sucesso em prol de suas agremiações.

E nós? Ah, não podemos ter sindicatos, é verdade! Todavia, sempre que temos oportunidade de obter algum êxito, jogamos pela janela. Vou, mais uma vez, exemplificar. Em 2006 tivemos a eleição para a Presidência do Clube Militar do Rio de Janeiro, de longe a maior e mais forte agremiação de nosso meio. Tínhamos dois candidatos: o General de Exército R/1 Gilberto Figueiredo e o General de Brigada R/1 Paulo Assis. O primeiro, com sua chapa “Consolidar e Modernizar” tinha como principal objetivo revigorar o quadro do clube mediante a captação de novos sócios, motivando os recém formados na AMAN para ingresso no clube. Declarou na época: “em cada 500 Aspirantes que se formarem, se conseguirmos 60 será um bom percentual”. Nada tenho contra o General Figueiredo, mas, isso é um objetivo ambicioso? Tentar aumentar um pouco o quadro social?

Em contrapartida, o General Paulo Assis, com sua chapa, tinha, entre muitos objetivos, os seguintes: “participar do processo político em defesa dos valores éticos e morais, concitando a sociedade brasileira a expurgar do cenário político indivíduos envolvidos em crimes contra estes valores”, “afirmar que a solução da crise brasileira encontra-se no caminho do exercício do sistema democrático da escolha pelo voto” e outros objetivos semelhantes.

Como o estatuto do Clube Militar veta o proselitismo político aberto, o General entendeu que não deveria ser muito explicito em certos aspectos. Mas, como a oportunidade já passou, posso revelar. A idéia era que fossem reunidos todos os clubes e círculos militares de oficiais e de subtenentes e sargentos do Brasil para que, juntos, indicássemos um representante comum em cada Estado da Federação (metade graduados e metade oficiais) e fizéssemos uma bancada com 27 Deputados Federais. Aí, teríamos uma força imensa no Congresso, com uma das maiores bancadas. Teríamos votos de sobra para tal, apenas com as famílias dos militares. Os objetivos eram tão elevados que o General Paulo Assis obteve o apoio dos Grupos Ternuma, Inconfidência, Emboabas, ANMFA e outros. Cabe acrescer que esse Estatuto do Clube é uma balela, pois todos tem conhecimento que a República e as Revoluções de 1922, 1924, 1930 e 1964 foram planejadas dentro do mesmo.

Aí, começaram as manobras políticas sujas, que incluíram a divulgação de uma declaração que o Paulo Assis deu de forma brincalhona na Brigada Pára-quedista quando falou que “PQD vota em PQD” e que foi divulgada por um PQD da outra chapa como uma ofensa a todos os pés-pretos.

Após todos esses acontecimentos e calúnias, a chapa de Paulo Assis foi derrotada por uma diferença mínima: 1998 votos para o General Figueiredo contra 1884 para o General Paulo Assis. Por curiosidade perguntei a alguns coronéis e generais indecisos em quem iriam votar e a imensa maioria declarou que votaria no General Figueiredo por ELE SER QUATRO ESTRELAS! A antiguidade, para alguns de nossos companheiros, parece ser mais importante que os nossos destinos a aspirações. E assim, por meros 114 votos em um colégio eleitoral de 11.500 associados, podemos dizer, como na música do João Nogueira, “foi mais um sonho que ficou para trás”.

Então, resta-nos seguir com essa vidinha de sempre, recebendo eventualmente um editorial da revista (que ninguém lê) do Clube tecendo algumas críticas ao governo, ver alguns dos nossos chefes lutarem por seu quinhão (vide José Albuquerque como Conselheiro da Petrobrás) e os libelos dos grupos acima descritos, que tem o efeito de um rato que ruge. Vamos nos contentar com o Bolsonaro vociferando sozinho para uma platéia de deputados desinteressados e abúlicos e fazer de conta que acreditamos que as coisas vão melhorar... que pena!

Agora cresce um movimento em torno de General Heleno, meu velho amigo do Tijuca Tênis Clube e, de longe, a maior liderança atual de Exército, para que o mesmo seja candidato a Presidente. É um delírio total. Será que, pelo menos o nosso estimado, genial e respeitado General Heleno não poderia tentar ser o próximo Presidente do Clube Militar para tentar viabilizar o que o General Paulo Assis tentou? Não sei. Afinal, sou apenas um “rabo de turma”.

Abraços a todos.

Saint-Clair Peixoto Paes Leme Neto – Tenente Coronel Inf QEMA

Coloco abaixo o meu telefone e o meu e-mail para eventuais críticas.

E-mail: saintpl@uol.com.br
Telefone: 8884-9681

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Ata da 1ª Reunião da CNTP em 06 Ago 2004




Luiz Antonio B S Pinto
16 jul (2 dias atrás)

para ....


No ensejo da proximidade da comemoração dos 8 anos das nossas já consagradas Reuniões Mensais, no próximo dia 03 Ago 2012, segue o “repeteco da crítica” da nossa 1ª Reunião no dia meia-dúzia de Agosto de 2004
Forte Abraço
SPinto
Crítica do exercício (aliás, do chope) / 06 Ago 2004.
1. INTRODUÇÃO.
Enfim conseguimos realizar o 1º chopinho do ano. Coisa simples, sem luxo, mas o importante é que aconteceu. A partir das 12:30 h já estavam chegando os mais pontuais. O papo durou até cerca das 18 h.
Registramos a presença do "paulista" Guerreiro acompanhado do filhote Tiagão e o excelente desempenho do Cobra, no controle dos garçons.
2. DESENVOLVIMENTO.
Eis a relação dos 22 participantes:
-Aballo: um dos primeiros a chegar, escoltado pelo Cobra e Arataquinha;
-Angelo: foi verificar a relação dos presente. Gostou;
-Arataquinha: contou, um a um, cada um dos quase quatro mil saltos de pára-quedas realizados. Teve platéia;
-Bactéria: precisa raspar a barba. Parece o Gen Osório. Talvez seja homenagem ao patrono da cavalaria ;
-Batista: veio de longe também.Guaratiba;
-Bichão: outro que veio de longe -S.P D`Aldeia. Além de mergulhador,futuro piloto de avião, foi, também, o nosso fotógrafo da reunião;
-Boita: muito discreto, chegou de terno,2 celulares e Pst na cintura. Contou mil "causos" e distribuiu cartões de visitas, mais de 10 vezes para cada um;
-Cobra: ajudou o Arataquinha a contar as façanhas mútuas no pára-quedismo.Tem sangue de intendente - controlou a conta da galera;
-Frisch: ainda possui a peruca branca mais bonita do Iº Ex;
-Gusmão: veio com o namorado Lamas;
-Guerreiro: parabéns. Veio de S.Paulo com o segurança Tiagão;
-Gonzaguinha: na moita, ficou até à saideira;
-Ismael:depois que chegou não deixou ninguém mais falar. É o ouvidor (falador) da 1ª RM;
-Lamas: veio com o namorado Gusmão;
-Moura: Ótima surpresa. Chegou de repente;
-Mota:Continua tranqüilão. Ri à toa;
-Nilo; para variar, chegou atrasado (disse que estava trabalhando !?);
-Pereira Gomes:verificou se o Angelo também "verificou" a relação dos presentes;
-Piranha: continua fazendo jus ao apelido. Foi paquerar o único coronel fardado que apareceu junto à mesa;
-Raphael: juntou-se à patota da Infantaria;
-Saint-Clair: ficou perguntado a todos, sobre a tintura de cabelo usada;
-Souza Pinto: continua simpático, bonito, elegante e modesto.
A relação acima está em ordem alfabética e qualquer coincidência terá sido meramente proposital.
3. CONCLUSÃO.
O objetivo foi conquistado. A reunião foi excelente,mas pode ser melhor ainda. É possível reunir muito mais gente. O primeiro passo foi dado e agora fica mais fácil. Alguns , na reunião, comentaram que as reuniões poderiam ser feitas em outros lugares. Claro que sim. Porém, creio que, para firmar a rotina, seja necessário aumentar o NB, ainda no CMPV. Depois vale tudo (quase!). Vamos divulgar a próxima Reu. Dia 03 Set 2004, ainda no CMPV. Até lá. Abraços. Souza Pinto (Pimpim)

PS: O TEXTO FOI ESCRITO EM 2004, ANTES DA REFORMA ORTOGRÁFICA. PORTANTO, NELE ESTÃO MANTIDAS ALGUMAS PALAVRAS HOJE MODIFICADAS.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Sargento Pécora

Amigos preposos,

Era o ano de l967. Cidade de São Paulo, e eu procurando emprego, morava em uma pensão. Dai que passei em frente a um Depósito Logístico que ficava na Barra Funda em São Paulo e fui direto ao relações publicas e perguntei se havia algum curso em andamento. Sim vários, um deles, AMAN, porque não, e lá fui eu prestar mais um concurso para vestibular, dentre tantos que havia realizado em São Paulo,  USP, Mackenzie, etc. Fui aprovado mas, fiquei no excesso, dai que surgiu o telegrama, era amarelo (rádio), deixando-me a oportunidade para ir para AMAN desde que frequentasse em 1968, o último ano da EsPCEx. Porque não, enfrentei mais esse honroso desafio.
Acontece que para ingressar na Escola  fui obrigado a pagar  uma taxa de CR$ 80,00, que retirei de meu FGTS,  já fui trabalhador de carteira assinada, que você está pensando? não acredita?. Outra lembrança inédita, uma das árvores da entrada principal da Escola, próxima do fuzil da FEB , quem plantou fui eu e o Souza Pinto.   
Acrescento também que eu tenho duas armas, a Azul Turquesa " Engenharia" e a Nobre "INFANTARIA", mas como: fui também soldado de Engenharia no  9º Batalhão de Engenharia de Combate em Aquidauana-MT, em 1965. Lá no BEC, em um dia de atividade operacional estávamos aguardando, à vontade, quando uma tropa comandada por um 3º Sargento recém chegado da  EsSA, ordenou com aquela voz de comandante: " Levanta soldado, a tropa está passando, de pé!, de pé!", era o Sargento Pécora. Após 45 anos estou escrevendo esse depoimento, parece que foi ontem. Obrigado a todos os preposos que me receberam, meus verdadeiros irmãos de armas,
 
Abraço Sirval. Logaritmo 23-328 e 1237.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

NOSSA VIDA DE CADETE


alt

 No fim dos anos sessenta na AMAN chegamos ressabiados
 Deslumbrados com tanta beleza, mas também encagaçados
 Extasiados com o luxo de mármore que nos foi apresentado
 E receosos com os tais trotes que tanto nos foi avisado
 Começamos logo fazendo a famosa “marcha do saco”
Do parque à ala no pulo de galo o que já me deu lumbago
 Vindo do meio civil e sem ter uma grande preparação
 Doía-me todo o corpo, da primeira fibra ao último tendão
 O período de adaptação foi um pesadelo que não terminava
 E a cada dia que se passava uma meia dúzia aloprava – e vazava
 Os “frangos” não refrescavam, era um concurso escroto
Para ver quem mais alto berrava nos lançando perdigoto
 Os tenentes falavam “mata” e os capitães “esfola”
 Uns pisavam em nossas cabeças outros nos chutavam as bolas
 Era uma turma de tenentes pra ninguém botar defeito
 Nos sugavam sem ter pena até nos estourar o peito
Seixas Marques, Carvalho Lopes, Araújo, Consentino
 E de quebra Almeida e Silva, Sá Rocha e Cupertino
 Ah! E nossos capitães? De tudo, isso era o mais divino
 Mário “mico”, “Cheira-Bosta”, “Orangofrango” e “Patolino”
 Eram oficiais exigentes, mas que ficaram em nossa memória
 Como militares de escol, que davam exemplos de glória
 No ensino universitário também tínhamos nossos algozes
 Buzato, Guerra e Moutinho eram as figuras mais ferozes
 Pra ter boa média em física um era um negócio dantesco
 Havia necessidade de com Isaac Newton ter parentesco
 No laboratório de física era muito pior a confusão
 Pra gravar as experiências babacas tinha-se que ter culhão
 Em nossas aulas de química de depois do almoço – que torpor
 O baixinho velho Bahiense nos fazia no piso marchar – que horror
E assim seguia a vida dos todos nós, bichos abnegados
 Sempre com certo mau cheiro, pois estávamos sempre “mijados”
 E quando vinha a SIEsp aí que o jangal era de muito mais trabalho
 Todos nós entrando com nossos cus numa festa só de caralho
Era fome, sede, frio, todo sofrimento era pouco
 Tinha cara que surtava e ficava muito louco
 Plano inclinado, “matéria-prima de lama, banho gelado de madrugada
 Era só pica grossa voando e a gente sem direito a nada
 Na ala também não tínhamos um momento de descontração
 Bastava acabar a revista e os veteranos invadiam de roldão
 Os “banhespes” da Intendência eram um negócio danado
 Mas pior era ir pras Com para ser eletrocutado
 Finalmente chega o Espadim, que julgávamos ser nossa alforria
 Que nada, logo descobrimos serem os mesmos nossos dias
 Mas havia a diversão com os nossos fiéis companheiros
 Que faziam o tempo passar com seu humor – fino ou grosseiro
 Logo no primeiro toque do clarim em nossas alvoradas
 Escutávamos o barulho da mesa sendo marretada
 Era nosso parceiro Guerreiro com sua “bengala” avantajada
 Usando-o como porrete na mesa e gritando: “acorda, putada!!!”
 Oh, que época abençoada que lembro e bate a emoção
 Cada um de nós na alvorada acordava com uma forte ereção!
 Lembro o notório “Boitatá” gaúcho de Passo Fundo
 Que depois das “Sete Famílias” gostava de ficar imundo
“Esse negócio de banho é coisa de mariquinha”, ele falava
 E quando abria seu armário um odor de cadáver exalava
 Nas poucas horas livres praticávamos atividades culturais
 Como os nomes de personagens em quadrinhos ver quem sabia mais
 Eu derrotando a todos e da vitória estava quase certo
 Mas, perdi a grande final para o meu amigo Bueno Neto
 Mas o esporte preferido de todos – vamos abandonar o cinismo
 Era sempre o mais solitário – chamado na medicina de onanismo
 Se na AMAN a punheta fizesse barulho, apitasse ou algo assim
 Certamente que tal som seria ouvido até em Pequim
 Eu, pelo menos, confesso: se ganhasse 10 reais por cada uma que fiz (em mim, esclareço)
 Certamente que eu teria hoje um bom apartamento em Paris
 Quem diz que nunca na AMAN “descabelou o palhaço”
 É porque não tem coragem de assumir – é o que acho
 Ou então não era chegado numa vulva bem molhada
 E acabou sendo desligado porque era bainha de espada
 Eu e Baciuk esperávamos o “MacaMendes” pegar a playboy
 Escondida toscamente dentro da revista de cowboy
 E ao banheiro se dirigir para a sua bronha tocar
 Enchíamos o capacete e íamos lhe banhar
 Depois era sebo nas canelas porque o Mendes enlouquecia
 Queria matar alguém – gritando: “isso é putaria!”
 A alternativa era para o tal de bambuzinho ir
 E depois rezar bastante para o pau não cair
 Melhor era o Novacap, puteiro de luxo em Volta Redonda
 No entanto custava caro pra se tirar essa onda
 As mulheres eram legais e até tinham cheirinho bom
 Chegava-se e comprava-se logo a ficha – era de bom tom
 Certa feita em Novacap vi uma coisa hilária demais –vou contar
 Havia ido com o Martinelli, que tinha a “ferramenta” espetacular
 Quando de sunga aparecia a sua silhueta frontal – que pecado
 Achavam que um rolo de papel higiênico ele havia guardado
 Pois bem, lá em Novacap ele comprou ficha e escolheu
 Uma morena bem linda e no quarto se recolheu
Não passaram nem 5 minutos e a moça saiu gritando
 “Essa é minha ferramenta de trabalho, não vai ficar estragando!”
 Foi-se o primeiro ano e não éramos mais a tal “bicharada”
 As férias foram gostosas, pois já éramos da calourada
 Ao ir pro segundo ano pensei que ia refrescar
 Que esperança vã: peguei o capitão Dinamar!
 Bom teria sido o “Verdinho” e melhor ainda Edgar
 Mas não passou de um sonho – eu estava com azar
 Comandante de pelotão ainda por cima Cupertimo
 Olha, desculpe a sinceridade, mas o cara era um cabotino
 Todo certinho, mas abostado, não aguentava uma corrida
 Mas era mestre em fazer a nossa vida bem sofrida
 O que era mais divertido foi os nossos apelidos
 Mais grossos ou refinados, mas sempre muito divertidos
 Boitatá, bactéria, pentelho, macunaíma, arataquinha
 Feijão, Almeitricha, Leso, Bonca, Tizil, Bidas, Zé galinha
 Anacoluto, Cabeça, Newton Bunda, Ovo, pimpim
 Patinho, ximbica, perereca, camarão e até Cléo pra mim
 Velho Brito, Quixeramobim, Chico bomba, bocão
Boca preta, Paulo peidão , Biafra, Cherry e cabação
 Aí não mais do que de repente o terceiro ano chegou
 “Finalmente estamos na Arma”, a plebe rude exultou
 Mas, quem foi pra Infantaria teve seu sonho frustrado
 Pois o comandante de companhia era cabra muito safado
 Desprovido de caráter era um exemplo acabado de poltrão
 Cometendo injustiças, mentindo e incentivando a delação
 O nome Mota ficará marcado para sempre em nossa memória
Como um exemplo bem acabado do que há de pior na escória
 Certa feita regressando de uma “manda brasa” inopinada
 Um grupo resolveu que era hora de tocar horror na bicharada
 Mas as alas dos bichos estavam fechadas com cadeados e tramelas
Aí tivemos uma ideia: “vamos invadir essa porra pelas janelas”
 Eu fui um deles, confesso. Foi divertido demais ver o Jonas “general”
 Dando esporro na bicharada, bostejando e pagando geral
 Houve um sargento de dia da bicharada que nos dedurou
 E aí comentamos entre nós : “desta vez o bicho pegou!”
 Então o Mota nos falou que queria o numero “só pra controle” do diário
Resultado: vários cadetes que não foram deram numero pra ser solidário
 O tempo foi de passando e achamos que a coisa nada ia dar
 Até chegar a semana santa, o maior licenciamento escolar
 Gaúchos e até aratacas todos com as passagens compradas
 Para ver seus familiares, pois a saudade estava bem apertada
Então chamaram 86 cadetes pra dizer que íamos para o Estado-Maior
Mas a prisão não comportava nos deixaram na ala – menos pior
 O mais indigno de tudo é que escolheram um para desligar
Ao invés de mandar embora um filho de coronel com grande folha corrida
 Mandaram o pobre Bandeira, baiano, cor escura e de família desprovida
 Foi um tiro no pé, pois o outro peixado mais tarde foi desligado
Porque frequentava em Resende festinhas aonde só ia viado
 Mas fomos levando a vida tentando esquecer essas mazelas
 Pois nessa altura muitos estavam comprometidos com donzelas
A gente ia vendo o nosso curso terminar o seu tempo
 E muitos de nós já pensávamos como iria ser nosso casamento
 Aí veio a maior glória –éramos quartanistas, já quase aspirantes
 Virada maior foi a nossa – que éramos os nobres infantes
 Depois de um terceiro ano que nos foi tão cruel e sacana
 Finalmente, no final de nosso curso encontramos o Nirvana
 Nosso comandante de companhia era Ayrton Andrade Ribeiro
 Amigo maior não havia, o “Toreca” era pra todos o primeiro
E o Comandante da Arma também dispensa qualquer palavra
 Pois o Major Domingues em qualquer circunstancia a honrava
 Na véspera do aspirantado o sentimento era algo um tanto dividido
 Alegria por sair oficial, mas nos despedirmos de amigos com coração partido
 Cada um para seu quartel pensando em bem cumprir sua missão
 Mas espalhados pelo Brasil, cada um em diferente guarnição
 Assim, basicamente, correu nosso glorioso tempo de cadete
 Sofremos, mas eu confesso: tenho saudades pra cacete
 Agora, já na contra encosta, nos alegram as fotinhas
 Dos rostinhos dos anjinhos – nossos netinhos e netinhas

Saint-Clair Paes Leme – filósofo de botequim pé-sujo

Grande Amigo Nilo

alt

(Saint-Clair Paes Leme)

Já fiz diversos versinhos comentando vários temas

No meu botequim pé-sujo bebendo a minha gelada

Mas hoje a um grande amigo quero dedicar um poema
Um sujeito em tudo ímpar e com uma alma iluminada

Nilo, meu amigo de fé, o melhor caráter que já vi

Sempre pronto a ajudar mesmo quem não merece

Agradeço sempre a Deus o dia em que o conheci

Quem priva de sua companhia, garanto: jamais esquece

Em tempos hoje distantes lá em nossa Academia

Tive o privilégio de compartilhar apartamento contigo

E desde aquela época a amizade por você eu já nutria

Observando as suas virtudes para com todos, não só comigo

Lembro-me bem do dia que em tivemos que eleger

Um representante da companhia para o “Código de Honra”

Tinha que ser alguém no qual todos pudessem crer

Com um caráter sem jaça despido de qualquer desonra

A sua indicação foi feita por total unanimidade

Mercê dos atributos pessoais por todos reconhecidos

Sua inteligência, capacidade e invulgar sociabilidade

Depois ratificaram a sabedoria de termos lhe escolhido

Em certa ocasião na AMAN resolveram nos aplicar

Um teste bem diferente, versando sobre “Cultura Geral”

E você quase gabaritou podendo a todos mostrar

Sua inteligência brilhante pois muito “cabeça de turma” foi mal

Tive o grande privilégio de conhecer a sua família

“Seu Nilo”, vascaíno roxo, na vila onde moravam

Com grande carinho a todos sempre acolhia

Sua mãe e suas irmãs a boas vindas completavam

Talvez não devesse contar, mas confesso: não resisti

Estávamos em uma festa na Zona Sul e muita mulherada

Chovia em nossa horta como eu nunca antes vi

Alguém exclama: “nossa, é um Deus de ébano”e era uma bicha safada

Essas recordações é que nos fazem às vezes rir sozinhos

Momentos bons e ruins que fazem a nossa história

Depois do aspirantado seguimos diferentes caminhos

Mas jamais perdemos contato nessa nossa trajetória

Nilo, o grande homem das letras e palavras eruditas

Eu digo com toda a certeza: “é o Camões brasileiro”

E esse poeta de boteco de palavras chulas e malditas

Agradece publicamente por você ser meu parceiro
alt
(Nilto)

Saint-Clair Paes Leme – Filósofo de botequim pé-sujo

terça-feira, 24 de junho de 2014

OS TIPOS DE CORNOS


Tem todo tipo de corno e vou falar deles versejando
Corno é bicho renitente e sempre chifre esta levando
Leva chifre todo o ano, em toda e qualquer estação
Porque corno não é acaso, corno é uma vocação

Existe o CORNO CEBOLA, que quando sabe que ela tá dando
Vai para um canto da casa e lá passa o dia chorando

Também há o CORNO ELÉTRICO que é um sujeito safado
Quando sabe do chifre só fala: “to ligado, to ligado”

O conhecido CORNO XUXA é sacaneado pelo vizinhos
Mas não separa da mulher “pra não deixar os baixinhos”

O CORNO GELADEIRA tem mulher nova e ele uns sessenta
Assim, sabe bem que é corno, entretanto não esquenta

Temos o CORNO ABELHA, que é corno, mas ama a mulher
Quando ela esta trepando na rua ele faz cera e toma “mé”

Tem o CORNO INCONFORMADO, que passa o dia exclamando
“Eu falo pra ela não dar, mas fazer o que, se ela esta dando”?

Tem o CORNO DEPUTADO que de falar nunca para
E fica só prometendo: “se eu pego mato esse cara”

Tem o CORNO SOLIDÁRIO, que é um cara esquisitão
Vê a mulher trepando e também quer dar pro Ricardão

O tal de CORNO PT é um corrupto que não se abre
A Mulher faz todas as putarias e ele finge que não sabe

De todos o mais orgulhoso é o manjado “CORNO VOYEUR”
Olha e diz pro Ricardão: “mete com força na minha mulher”!

O tipo CORNO CHURRASCO é avisado, mas descobrir não quer
E brada aos sete ventos: “ponho as mãos no fogo por minha mulher”

Uma espécie curiosa é o famoso CORNO BIPOLAR
Leva chifre da amante e também dentro do seu lar

E o CORNO BATERIA? O cara também é um figurão
Sempre promete a todos: “vou tomar uma solução”

O chamado CORNO ATEU é uma espécie maldita
Esta tudo na cara dele, mas ele jamais acredita

E CORNO MATEMÁTICO? Esse não tem pudor algum
Flagra a mulher no 69 e vai pro boteco tomar uma 51

O CORNO CABEÇA FRESCA é um cara bem tranquilão
Prefere comer pudim com amigos do que fuder um dragão

E o pior de todos esses? É o chamado CORNO CABRAO
Que toma esporro da mulher e porrada do Ricardão

Mas, pode ter certeza: chifre é um consórcio manjado
Quando menos se espera é que se vê que foi contemplado.

Saint-Clair Paes Leme – filósofo de botequim pé-sujo

sábado, 4 de janeiro de 2014

Habemus QQ

Boa tarde parentes e amigos. 

Há males que vem para que o transformemos em bem.
O história do carro novo da Eliete é um destes casos.
No início por ter se esgotado o estoque de carros cor prata, compramos em 05 outubro 2013 um QQ vermelho 2013/2013 na promoção de fábrica CHERY realizada por inaugurar a pedra fundamental de sua fábrica no Brasil em Jacareí -São Paulo. 
Eram 600 carros das cores preto,prata,vermelho,amarelo,verde,branco e azul. Quando fomos comprar só estavam disponiveis no SISTEMA CHERY os pretos e alguns vermelhos. Pagamos a entrada de R$2000,00 e aguardamos que entre 30 e 40 dias sendo informado que o carro viria de Vitória-ES pois já estavam no pátio daquele Porto. Passaram-se os 40 dias e nada. Aí nos disseram que o prazo era de 40 a 60 dias.Não concordamos porque estava escrito com a letra do vendedor em um rascunho de início de negócio que o prazo era de 30 a 40 dias. Aguardamos 60 dias e nada. Aí dado as afirmações do vendedor e do gerente da loja partimos para contato com a fabrica CHERY e recebemos um protocolo de retorno da situação em 5 dias úteis. Durante este período o gerente da loja RUBRA da Barra da TIJUCA ligou sugerindo que desejaria devolver o valor inicialmente dado e NÃO CONCORDAMOS. 
Remeti cópia do e-mail enviado a fabrica CHERY e no dia seguinte o gerente ligou propondo uma modificação no negócio. Enfim já estava no estoque da loja um carro prata 2013/2014 que ele faria por valor um pouco maior (R$22990,00 )colocando equipamentos  para compensar o valor anterior de R$20990,00 anunciado pela fábrica.O valor da diferença seria coberto como protetor de cárter(o peito de aço) ,tapetes completos ,calhas de chuva completas,emplacaria o carro e daria um desconto de 20% na primeira revisão com lançamento escrito no manual do proprietário do QQ. Somente o resíduo de IPVA na ordem de R$175,00 ficaria por nossa conta.
CONCORDAMOS. Fiz o pagamento completo e saí em busca do SEGURO para o carro  com a NOVA SEGURADORA atuando no dia da retirada da loja. Buscamos três corretores e até a POUPEX . Melhor oferta e dentro do prazo que necessitávamos ,optamos e ficamos com a Seguradora SULAMÉRICA com o sr HORALDO amigo do Waldo.
 Desta vez tomamos cuidado pois com o DUSTER em 2012 ,tiramos ele da loja em um sábado e na segunda-feira fomos emplacar e fazer o seguro e ele foi considerado CARRO USADO ,pelas regras das Seguradoras ,não se enquadrando em carro 0 KM,foi uma situação desconfortável e não informada pela Concessionária EIFFEL de Nova Iguaçu,pois naquele sábado a MOÇA DO SEGURO DA LOJA não estava trabalhando.
Hoje as 11:23 horas retiramos o carro,fizemos o primeiro abastecimento com a idade de Cristo,colocando 33 litros e já fomos ao supermercado EXTRA 24 horas ,no início da avenida das Américas ,fazer compras.Aliás o Felipe Haniel falou que agora iríamos economizar na gasolina(faz 16 Km com um litro) e nas compras(o porta malas é bem menor que o do DUSTER). Muito piadista,engraçadinho com a mamãe.
As fotos do evento deste 21 dez 2013 estão em anexo para alegrar o VERÃO como nos alegrou.
Vitória!Vitória!Vitória! Temos um QQ do modelo 2014 que será fabricado no Brasil até 2015,com garantia de 03 anos e COMPLETAÇO com :
FREIOS ABS, AIRBAG,AR,DIREÇÃO,VIDROS e RETROVISORES COM COMANDOS ELÉTRICOS,RÁDIO COM MP3,BLUETOOTH,LIMPADORES DIANTEIROS E TRASEIRO,POSSIBILIDADE DE ABERTURA INTERNA DA TAMPA DO PORTA-MALAS e da ENTRADA DO RESERVATÓRIO DE COMBUSTÍVEL(não precisa descer do carro em dias de chuva),CONTA-GIROS,ALARME,ETC  . Equipamentos de qualidade em quantidade maior e muito melhor do que várias industrias de automóveis fabricados no Brasil oferecem e ofereciam em mais de 20 anos anteriores.
Assim da dificuldade de se entregar o carro 2013 vermelho acabamos com o recebimento de um carro prata 2014,pois foi um ótimo acordo.
RECEBEMOS COM ALEGRIA UM CHINÊS com o mesmo SORRISO DE SEU FUTURO IRMÃO QUE SERÁ FABRICADO NO  BRASIL. Quem lançou uma nave e colocou um robot de pesquisa na LUA não pode ser chamado de amador na industria automobilística.
Comemoramos almoçando no GIRAFA'S do supermercado EXTRA 24 horas onde compramos 3 Kg de Bacalhau do Porto para o Natal na casa do Claudio e da Ana.
Um abração.
Feliz Natal e Próspero Ano Novo .
Claudir e Eliete(dona de um QQ maravilhoso)